
Aqui esta a Live de Pam Costa, que foi uma das primeiras entrevistas que foi feita no canal
No QG Cultural Especial, Maurício (Engel) e PH receberam *Pam Costa*, idealizadora do Incorrupt. O texto abaixo segue a live nesta ordem: pergunta à convidada, resposta dela e, quando couber, comentário da bancada que corrobora — sem misturar fala da Pam com a de Maurício ou PH. Onde a bancada só reforça, aparece como corroboração — não como se fosse a convidada./o:p>
1. Apresentação/o:p>*Maurício:* Boa noite, Pam. Bem-vinda ao QG. Se apresenta: de onde você vem e o que é o Incorrupt./o:p>
*Pam Costa:* Boa noite, Maurício, muito obrigada pelo convite. Boa noite, PH. Sou a Pam Costa — para quem não me conhece, figurinha caricata do Twitter, agora X. Idealizadora do Incorrupt, canal de comunicação política e atualidades jornalísticas do Brasil, política internacional e cenário geopolítico./o:p>
Estou nas redes desde 2008. Já caí várias vezes, já me derrubaram várias vezes, e ganhei notoriedade justamente por isso: quanto mais tentam derrubar, mais a gente volta — e isso vai dando força até que chega um ponto em que ninguém consegue derrubar mais./o:p>
Sou autodidata do jornalismo investigativo. Fiquei conhecida pelos fios, principalmente entre 2018 e 2021, com investigações e exposeds que a imprensa marrom não faz questão de informar — gastos públicos, farra com dinheiro do contribuinte. Explorando esse “submundo” do X, a notoriedade veio também das quedas: cada derrubada, uma volta mais forte. Cheguei nesse patamar de loucura: não sei se estou feliz ou triste, mas estou trabalhando bastante. Internet é 24 por 7./o:p>
*Maurício / PH:* Concordam: quem vive de internet e YouTube não tem escala “folga”. Reforçam a teimosia de voltar depois das derrubadas./o:p>
2. Da biologia e da saúde ao jornalismo/o:p>*Maurício:* Nos bastidores você falou de formação em biologia, área da saúde. Onde foi a virada de chave para o jornalismo?/o:p>
*Pam:* Sempre tive facilidade de me desempenhar em várias funções: comércio, padaria, supermercado, loja, shopping. Sempre me moldei à necessidade do momento./o:p>
No ensino médio o sonho era biologia marinha. Em 2009, com 17, 18 anos, no último ano, perdi meu pai. Isso mudou a rotina: tive que assumir o posto dele em casa, trabalhar uns dois anos antes da faculdade. Na primeira faculdade, paga, já trabalhando em indústria, fui até o último semestre de biologia. Depois prestei vestibular público e passei em tecnologia em saúde — aparelhos hospitalares./o:p>
Nunca deixei o lado de humanas. Sempre gostei de redes e me comunicava bem nelas. Se tivesse me empenhado no Instagram desde o início como no Facebook e no Twitter, talvez fosse uma das maiores influenciadoras do país — tinha sapiência para fazer conta crescer, meme, zoeira. Não larguei a vida certa, o trabalho, para focar só nisso./o:p>
3. Meme como artifício político/o:p>*Maurício:* Comenta o meme — eu, por autismo, preciso reler várias vezes para entender./o:p>
*Pam:* Meme muitas vezes só quem fez entende de verdade; tem meme complexo que vira quase arte contemporânea. Mas meme de verdade é para todo mundo olhar, entender e rir na hora. Se exige desvendar mensagem, já é peça publicitária, linguagem para interpretar. Meme deve simplificar o complexo e despertar humor imediato. Tem que ser rápido./o:p>
No Brasil, pela criatividade do brasileiro, o meme virou artifício político, explorado por direita e esquerda. A esquerda tem deficiência enorme em produzir conteúdo de pensamento rápido. Foi nisso que a direita cresceu por volta de 2010 a 2013, com os estouros de meme no Facebook, colocando fatos nos memes. Foi a primeira vez que enfrentamos debate de regulamentação de redes — Dilma, lei digital para censurar memes./o:p>
Nessa época tinha a página e o grupo Dicas do Alinho: grupo com mais de 90 mil membros, absurdo na época, e página com mais de 1 milhão. A maioria se descobrindo na direita. Houve richa com outra página; parou na Mídia Ninja; derrubaram a comunidade no Facebook. Aí saí do Facebook e fui para o Twitter anônimo./o:p>
*Maurício:* Confirma: Dilma, regulamentação, estouro de memes no Facebook naquela época./o:p>
4. Liberdade de expressão e cancelamento/o:p>*Maurício:* No Twitter há mais liberdade, mas somos caçados por opiniões contrárias — não é, Pam?/o:p>
*Pam:* Exatamente. Hoje não há segurança de falar sem risco de punição. Só um lado pode falar o que fala; há um muro que define quem pode falar o quê. A esquerda pode ameaçar, ser racista, fazer o que quiser — entre eles e contra outros — e não acontece nada: tiram reputação, cargos, bens se possível./o:p>
Isso também acontece dentro da bolha deles. Moça negra “não pode” se relacionar com branco senão cancelam — “palmitando”. Caso da cantora Iza: a neném nasceu branca e gente de esquerda postou lamentando dar à luz a uma criança branca. Aponta-se como racismo e eles dizem que só vale contra a cor escolhida./o:p>
Não há problema em preferir, por cultura, se relacionar com iguais. O problema é cancelar quem decide diferente. Pessoas têm direito de se relacionar com quem quiserem. Do lado da esquerda há cartilha: não pode pisar fora. Se alguém te vê jogando água fora da bacia, cancela./o:p>
A Jojô Todynho, no momento em que disse que não queria mais ser de esquerda, foram atrás de patrocínios, cancelaram nas redes — porque tirou foto com Michelle Bolsonaro. Ela tem direito de escolher para quem torcer politicamente. No futebol toleramos flamenguista, vascaíno, corintiano. Por que politicamente não se tolera? A intolerância vem sobretudo da esquerda para cá. Do lado de lá há cartilha: pisou fora, cancelou. Do lado de cá a gente ainda discute no estádio político; do lado de lá muitas vezes só resta exclusão./o:p>
*Maurício:* Isso é verdadeiro racismo — o absurdo dos posts sobre o bebê./o:p>
*PH:* A ânsia de destruir o outro por posicionamento político. Isso aparece de formas graves no debate público./o:p>
5. Bolha, opinião própria e maturidade/o:p>*Maurício:* A sociedade está doente: se você não concorda com o senso comum da direita ou da esquerda, sofre. Eu monto opinião com referências e digo que não se pode viver numa bolha. Pam?/o:p>
*Pam:* Exato. Não dá para viver numa bolha em que todo mundo pensa igual. Tem que pegar conhecimento daqui e dali, elaborar o que se quer para si e para as próximas gerações. Não estamos condicionados a viver presos a alguém ou a um ideal — isso é maturidade: pegar o melhor daqui e de lá, crescer, formar opinião./o:p>
Obviamente a sociedade molda muita gente a seguir opinião de alguém. No Brasil tem muita gente preguiçosa que não quer formar opinião: embasa-se em outros porque é mais fácil na rotina — e não está errado; é escolha./o:p>
*Maurício:* No setor cultural é água mole em pedra dura: eu entrevistо esquerda e direita; não vou de britadeira./o:p>
6. Liberdade individual e coletivismo/o:p>*PH:* Eu odeio meter regra na vida do vizinho. O brasileiro tem problema sério com liberdade individual — nunca foi ensinado de verdade. Pam?/o:p>
*Pam:* Tem sim, problema bem grande. O espírito coletivista da esquerda dá “propriedade” às pessoas para interferir na vida de vizinhos, familiares, todo mundo — meter bedelho, dar pitaco no bônus, mas ninguém divide as contas. Há narcisismo, senso de superioridade: “como eu sou foda, eu corrigi ela”./o:p>
Sobre a esquerda e artistas: perfil de autocontrole, cartilha. Quando começa a sufocar, a pessoa se sente presa. Eles pregam liberdade, mas te prendem. Você entra no modo coletivo: tudo pelo coletivo, pela ideia, levantando bola de alguém. No caso da artista: ter que falar linguagem que não quer, marketing que não quer, cantar do jeito que não quer — triste./o:p>
Isso rola em faculdade, música, cinema, novela — cadeia produtiva dominada por esquerda. Falta a direita fazer o trabalho de formiguinha e entrar nesse âmbito./o:p>
*PH:* Precisa de contraponto — produções liberais, de direita, conservadoras. Não basta só combater a cultura woke; senão o combatente cansa e desiste./o:p>
7. Setor cultural: falta produção, não só briga/o:p>*Maurício:* No chat o Carlos Bacu — quadrinista, cancelado em HQs, editais, animação. Pam, comenta o setor. A gente precisa dar voz a quem produz do outro lado./o:p>
*Pam:* É um setor em que carecemos de profissionais que façam produções para público mais conservador, liberal, de pensamentos de direita — sem fechar em microbolhas./o:p>
Quase todo dia a gente fala: a discussão não é só o que o político deveria fazer. Isso não é uma mudança política, isso é uma mudança cultural. Precisamos de ONG, trabalho social de rua, base, terceiro setor fomentando cultura — músicas, livros, novelas de direita. Quem escreve música de direita? Romance de direita? Novela de direita hoje?/o:p>
Teatro brasileiro: a esquerda toma totalmente; quase não há teatro livre, isento. Trabalho de formiguinha cresce, mas verba federal é difícil para quem é exposto de direita. E dá uma pancada na direita brasileira que, quando tem conteúdo nacional, muitas vezes não consome. Sem consumo não tem segunda tiragem, não tem segunda temporada, não tem empresário animado./o:p>
Quase todo dia no trabalho a gente bate nisso: não é só o que o político deveria fazer amanhã. É ONG, rua, base, terceiro setor, música, livro, novela. Sem isso a disputa fica pela metade./o:p>
*Maurício:* Concordo com o teatro e com a demora. Estou escrevendo ficção científica e policial nessa linha. Mudança cultural demora décadas. O municipal importa: Câmara, conselhos, presença./o:p>
8. Leis de incentivo e falta de produtores/o:p>*Maurício:* Pode falar, Pam — sobre editais e o setor. O Bacu corrigiu: foram dois editais, não três./o:p>
*Pam:* Acesso às leis de incentivo não é só “favorece a esquerda”: a área é majoritariamente de produtores de esquerda. O ponto central: nós temos falta de produtores culturais de direita. Não adianta ir atrás da lei sem saber fazer nada — precisa de projeto, escopo, um dom real: peça, arte, música, filme, desenho, novela./o:p>
Não é impossível conseguir incentivo sendo de direita. Discriminar por voto seria ilegal: voto é secreto; o Estado mereceria processo. Mas quantos como Carlos Bacu estão produzindo HQs, animações, desenhos?/o:p>
No lado da direita muita gente acha cultura trabalho sujo, ou só quer filosofia — e a direita não é só isso: precisa do próprio campo de produção, animação, HQ, evento. Trabalho cultural tem que ser de base, não da torre. Sem base, sobra só macropolítica e thread — e a prateleira continua com os mesmos donos./o:p>
*Maurício:* A esquerda domina tanto que as pessoas esquecem de dar a cara. Tem gente como Tony Fernandes e outros no campo — mas ainda é pouco diante do tamanho do problema./o:p>
9. Eventos, empresários e uma CCXP menor/o:p>*Maurício:* O que a cultura conservadora e liberal pode fazer em eventos?/o:p>
*Pam:* Promover: reunir criadores de HQ e produtores de animação declaradamente de direita; feiras literárias; eventos para jovens, crianças, adolescentes — apresentar um mundo diferente. Buscar empresários. A CCXP é evento gigante; por que não uma versão menor, começando em São Paulo? Empresário de direita também tem que tirar a mão do bolso./o:p>
Direita não é só política: valores, família, ensinar coisas boas às crianças — musiquinha, clássicos da infância. Em vez de só enfiar dinheiro em político que depois trai, construir sustentação de longo prazo formando crianças e adolescentes com outros ideais e bons costumes./o:p>
Hoje, para a esquerda, “conservador” basta querer família, trabalhar, tomar banho e ir à missa — e já te chamam de extremo. As crianças não têm acesso aos desenhos bobinhos de antes; há desenho infantil erotizado, sexualizado, woke./o:p>
Sobre coletivismo: não é fazer todo mundo pensar igual — trazer peça central de conhecimento e deixar a pessoa formar opinião, um pouco daqui, um pouco dali. Transformação cultural precisa de quem está no topo da pirâmide financeira. Estado inchado e dominado por esquerda é obstáculo — e nem queremos que o Estado financie tudo: se o trabalho cultural for bom, quem gosta paga./o:p>
Modelo prático: feira literária, HQ, anime — entrada simbólica, por exemplo dez reais, mais doação de alimento; stands vendendo; com quatro, cinco grandes empresários organizando e castando profissionais, enche./o:p>
Em formação de sociedade não dá para excluir o coletivo de todo: cada um é indivíduo, mas a transformação cultural precisa de quem está no topo da pirâmide com capacidade financeira. O Estado inchado atrapalha — e a gente nem quer que o Estado financie tudo. Se o trabalho cultural for bom, quem gosta paga. Empresário de direita precisa parar de só curtir o progressista e investir no conservador./o:p>
E tem aquele orgulho da turma: “não vou usar verba pública, faço com meu dinheiro, não preciso de arrecadação”. Orgulho demais não ajuda. Se isso vira dogma, atrapalha. A direita tem que quebrar um pouco esse orgulho e aprender a organizar — sem anular o indivíduo. Cada um é independente, mas transformação cultural precisa de quem está no topo da pirâmide financeira ajudando quem ainda está construindo./o:p>
*Maurício:* Concordo — organizar e investir no próprio campo, sem ficar só na arquibancada./o:p>
10. A metáfora da caixa/o:p>*Maurício:* Como produtores de conteúdo, temos que abrir a cabeça do povo — não é, Pam? /o:p>
(Antes, Maurício conta à Pam que é umbandista de direita, que o terreiro dele é de direita, e critica a esquerda por sequestrar pauta de minoria e de religião — fala da bancada, não da convidada.)/o:p>
*Pam:* Em todas as áreas — e não só direita e esquerda: produtores do outro lado também precisam abrir cabeça, com técnicas próprias. Em algum momento todo mundo foi de esquerda; quando se aprende a abrir a cabeça e pensar, já não é mais esquerda. Eles prendem num ciclo vicioso; não dão liberdade de pensar diferente; regras a seguir — pé fora da linha, Jojô./o:p>
A esquerda é uma caixa, um quadrado; todo mundo dentro se batendo, NPC. Em algum momento alguém descobre uma janela, sente ar fresco, percebe que tem raciocínio, que aquilo sufoca — e pula. Os de dentro querem puxar de volta; se não conseguem, ficam irados porque a pessoa vai denunciar o ambiente fétido. Sair cancela eternamente, mas libertar-se e achar outros livres é maravilhoso — o mundo fora é infinitamente maior que a caixinha./o:p>
Onde tem minoria, a esquerda quer sequestrar a pauta para si./o:p>
*PH: Paralelo com 1984*, Winston: quando se descobre a liberdade, não dá para voltar à caixa./o:p>
11. Revisionismo, narrativa e psyops/o:p>*Maurício:* O mundo está tentando reescrever a história diante dos nossos olhos. O que você está achando disso, Pam?/o:p>
*Pam:* Durante o dia tenho um carrossel de emoções — acordo feliz, meio-dia triste, e assim vai. Sem inteligência emocional fica difícil aguentar o tranco de tantas vezes reescreverem história na cara da gente. Eles falam de revisionismo, mas são eles que tentam apagar uma história, ver outra e cancelar nossa existência a qualquer custo. Na academia isso é ainda mais forte do que na produção cultural — bizarro./o:p>
Método: uma mentira contada uma vez é mentira; cinco, factoide; dez, narrativa; vinte, já tem potencial de se transformar em “verdade”, porque deixou de ser só narrativa e é replicada por muitas vozes. Abre o computador: mesma manchete em jornais diferentes — copie e cola clássico./o:p>
Nesta era digital: psyops — coisas que não vão acontecer, mas a imprensa diz que vão, para a população ter medo e deixar de fazer certas ações, induzir comportamento. Dá para aplicar a mercado: gerar desejo, tendência de compra, zerar estoque. Exemplo: dizer que aquele arroz caro vai acabar, nunca mais volta; forma fila; gente gasta o que não tem, se endivida; estoque zera; o dono abre outra marca com outro nome e nova propaganda. Gatilhos de marketing. O mesmo músculo serve para pânico político e cancelamento./o:p>
Calendário anual — carnaval, Páscoa, Dia das Mães, namorados, festas juninas, férias, Dia dos Pais, crianças, Black Friday, Natal — cadência acelerada de marketing gerando desejo e desespero. Economia verdadeira gira com consumo; o problema é salário corroído pelo peso do Estado: pai trabalhador que não pode dar ovo de Páscoa ou ceia decente. Governo que mais arrecada e mais gasta — a conta não fecha./o:p>
*Maurício:* HQs reescrevendo origem de herói — Batman, Superman, Mulher-Maravilha. Internet livre versus controle. E você apura e posta sem briefing das grandes redações: para eles, a Pam não existe./o:p>
12. Estado, imposto e cultura para a elite/o:p>*Maurício:* Arrecada mais e não corta, né, Pam?/o:p>
*Pam:* Exatamente — mas arrecadando taxando mais o pobre. Pela lógica do consumo, diminuir carga tributária geraria mais empreendedorismo, mais contratação, mais produção. Cultura de gestão da esquerda é burra: acha que basta aumentar imposto. Precisa diminuir impostos e gasto da máquina — inclusive com produção cultural./o:p>
Muito dinheiro em produção cultural a que o pobre não tem acesso — em geral para a elite. O Estado usa o dinheiro do contribuinte, do pobre, do trabalhador, para produzir cultura para a elite — setor judiciário, tribunais, glamour. A “transferência de renda” na prática é o contrário: tira do pobre e põe no 1% mais rico do funcionalismo. Estado inchado que não produz riqueza. Correios? Produz atraso./o:p>
13. Escala 4×3 e o efeito no setor cultural/o:p>*PH (pergunta do chat):* O que você acha de acabar com a escala 6×1 e colocar 4×3?/o:p>
*Pam:* Só faria sentido com Estado desinchado, menos impostos para patrão e trabalhador, economia estável. Aí 4×3 com múltiplos turnos seria viável./o:p>
A pergunta-chave: o salário e a carga tributária caem proporcionalmente à escala? Se sim, toca o barco. Se mantém salário à força só porque é a lei, impactos econômicos brutais — a PEC não chega ao final com o mesmo valor de salário./o:p>
Muitas empresas CLT não permitem segundo emprego. Se a desculpa é família e descanso, melhor: liberdade de negociar com o patrão, ou base 5×2 / 40 horas. A discussão atual muitas vezes é vazia. Setores como shopping e hospital precisam de fim de semana./o:p>
Se o patrão não puder reduzir folha, repassa no preço — supermercado, prateleira. Falsa impressão de salário mantido. Conta que a gente fez: uns 37,5% de impacto de custo se o patrão absorver os dias de folga pagos. Microempresa: carga pesada; fecha ou demite. Inflação nos alimentos./o:p>
Muitas empresas CLT ainda travam segundo emprego por confidencialidade. Setores de shopping e hospital precisam de fim de semana — a conversa não pode ser genérica demais./o:p>
Sobre “deixar a esquerda fazer”: o brasileiro precisa sentir na pele as consequências; passar por situações para aprender a escolher melhor. É duro, mas ilusão também cobra juros./o:p>
*Maurício:* Com escala doida e impostos, eventos e lazer encarecem. Pai prioriza arroz, não cinema. Produção cultural demora mais — o que era três meses vira cinco —, ingresso sobe, qualidade cai./o:p>
14. Igreja, ação de base e fechamento/o:p>*Maurício:* Cristianismo e Igreja Católica como origem do social que a esquerda sequestra — o que você acha, Pam? E a parceria social do canal com a igreja dos meus pais, com morador de rua: o que os canais devem fazer?/o:p>
*Pam:* Como fundamento de construção social, Igreja Católica e cristianismo são pilar importante. Muitas cidades nasceram ao entorno da igreja — primeiro a igreja, depois a civilização. Potencial social enorme; protestantismo ligado a universidades e institutos. No Brasil querem apagar esse papel. Potencial social enorme; no protestantismo americano isso aparece ligado a universidades e institutos. Eleições municipais de 2024: igreja carreou votos e formou lideranças. Onde a igreja está e o Estado não: periferias, cuidar das pessoas, inclusive da alma. Quem segura ordem e respeito em muita favela é pastor, é estrutura de fé — não o gabinete./o:p>
A ministra Margareth Menezes falou da igreja como “vazio” do Estado: tem razão no sentido de onde o Estado não está, mas a igreja não é vazio cultural — há cultura, só não supervisionada pelo Estado. Quem segura ordem e valores em periferia e favela muitas vezes é a igreja. Meu dízimo converte muito mais em ação social do que o meu imposto. No Rio Grande do Sul: civis e cristãos na frente; Estado atrasado./o:p>
Sobre a sua iniciativa, Maurício: precisa mostrar, unir, formar corrente — não ficar só no gogó. Parabéns: pouca gente tem coragem. Produtores de conteúdo devem dar a cara a tapa e mostrar ação. Buscar alternativas alheias ao Estado — se ficar na mão do poder público, a sociedade está na merda. Quem faz ação — católica, evangélica, terreiro — que se mexa: somos uns pelos outros./o:p>
Primeiro: olhar a própria família; arrumar a casa; depois ação social externa — senão é hipocrisia. Benefícios são importantes, mas com linha de corte. Estado estimula arrecadação máxima para bancar benefício e voto, não produção. Vazamento de benefícios para tigrinho e apostas. Pessoas apostam por desespero e medo de perder benefício se pegar CLT. Ideal: prazo mantendo benefício e trabalho. Governo populista promete picanha e cerveja e entrega benefício com o qual não se compra isso. Vazamento de benefício para apostas e paraísos fiscais. Gente aposta por desespero — tudo caro — e por medo de perder o benefício se pegar CLT. Ideal: prazo, por exemplo três anos, mantendo benefício junto com trabalho. No emergencial, Bolsonaro permitia acumular benefício e trabalho; Lula cortou quem trabalhava — incentivo a sair do emprego. País continental, logística, segurança, queimadas — e prioridades absurdas no Planalto. Agenda ESG, na minha visão, é das coisas mais idiotas desse pacote./o:p>
*Pam (fechamento):* Prazer enorme. PH: batalhador, guerreiro; deficiência visual não é desculpa; traz cor ao mundo; estuda cultura; para mim você é um eterno vencedor. Maurício: prazer; parabéns por reunir gente da cultura. Redes: @pancosta21 no X; @dencorrupt no X e no Instagram; YouTube IncorruptBR./o:p>
*Maurício / PH:* Pedem para o público seguir Pam e o Incorrupt. PH agradece as palavras./o:p>
*Maurício:* Setor cultural não se disputa só no voto. Disputa-se no que se produz, no que se consome e em quem tem coragem de pular a janela da caixa — como aComentários
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