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O silêncio das feministas diante da violência contra mulheres

Grasi Nunes4 min

Estreando na coluna das Terças Femininas a Grasi Nunes do Grasi Sem filtro

  O silêncio das feministas diante da violência contra mulheres

Nos últimos dias, vieram à tona casos graves envolvendo mulheres que, segundo os relatos apresentados, sofreram violência praticada por homens. Situações como essas reforçam uma realidade que não deveria ser relativizada: a maldade não é definida pelo sexo de uma pessoa. Homens e mulheres podem cometer atos cruéis, e cada crime precisa ser analisado a partir da responsabilidade individual de quem o praticou.

Nos casos mencionados aqui, porém, os agressores são homens, e as vítimas são mulheres. Por isso, além da gravidade dos próprios crimes, surge uma questão que precisa ser debatida: onde estão os movimentos que afirmam ter como uma de suas principais bandeiras a defesa das mulheres?

Medidas protetivas e a sensação de insegurança

Em um dos casos citados, uma mulher teria sido mantida em cárcere privado durante cinco dias. Segundo o relato apresentado, ela afirmava possuir dez medidas protetivas contra o agressor.

Se essas informações forem confirmadas, o episódio levanta uma discussão importante sobre a efetividade das medidas destinadas a proteger mulheres ameaçadas.

A existência de uma decisão judicial, por si só, não elimina o risco quando o agressor está disposto a desrespeitá-la. Por isso, além da criação de mecanismos legais de proteção, é necessário discutir fiscalização, prevenção e consequências efetivas para aqueles que violam essas determinações.

Quando uma mulher denuncia uma ameaça e busca proteção do Estado, ela precisa ter confiança de que os instrumentos disponíveis serão capazes de reduzir concretamente o risco ao qual está submetida.

O caso da adolescente de 16 anos

Outro episódio mencionado envolve uma adolescente de 16 anos.

Segundo as informações apresentadas no texto original, o autor do crime teria sido beneficiado por uma saída temporária, apesar de possuir uma condenação que totalizaria 120 anos de prisão. Durante esse período fora do sistema prisional, ele teria feito uma nova vítima.

Caso essas informações sejam confirmadas, o episódio inevitavelmente provoca questionamentos sobre os critérios utilizados para conceder benefícios a condenados e sobre a capacidade do sistema de avaliar o risco de reincidência.

Independentemente da posição política de cada pessoa, a prioridade de qualquer política criminal deveria ser encontrar um equilíbrio entre os direitos previstos em lei e a proteção da sociedade, principalmente quando existe risco concreto de novos crimes.

Uma pessoa já condenada por delitos extremamente graves não pode ser tratada apenas como um número dentro do sistema penitenciário. Também é necessário considerar as possíveis consequências que determinadas decisões podem produzir para vítimas futuras.

A crítica ao silêncio de movimentos feministas

É justamente diante desses episódios que surge a principal crítica deste artigo.

Movimentos feministas afirmam historicamente atuar na defesa dos direitos e da segurança das mulheres. Por isso, quando casos graves ganham repercussão, espera-se uma manifestação proporcional à gravidade dos acontecimentos.

Quando essa manifestação não acontece ou não recebe a mesma visibilidade observada em outras pautas, cria-se a percepção de seletividade.

Esse silêncio, real ou percebido, prejudica inclusive a credibilidade dos próprios movimentos que afirmam defender mulheres. Afinal, a defesa de uma vítima não deveria depender da conveniência política do caso, da identidade do agressor ou da possibilidade de transformar determinada situação em uma disputa ideológica.

Uma mulher agredida continua sendo uma mulher agredida independentemente da corrente política envolvida na discussão.

Protestos não substituem políticas de segurança

Discursos, campanhas e manifestações públicas podem chamar atenção para problemas sociais, mas não substituem políticas capazes de impedir novos crimes.

A proteção das mulheres exige instrumentos concretos: leis aplicáveis, fiscalização, cumprimento das decisões judiciais e punições proporcionais aos crimes praticados.

Na visão defendida neste artigo, medidas mais rigorosas contra agressores e criminosos reincidentes deveriam ocupar uma posição central nesse debate.

Também é necessário discutir com seriedade propostas relacionadas ao aumento de penas e à execução penal. O autor deste texto critica setores da esquerda que, segundo sua avaliação, se posicionam contra determinadas propostas de endurecimento das punições.

Essa divergência política precisa ser debatida de maneira objetiva, considerando principalmente uma pergunta fundamental: quais medidas realmente reduzem o risco de novas vítimas?

Conclusão

A crítica apresentada aqui não parte da ideia de que apenas homens cometem violência ou de que todas as mulheres são vítimas. Maldade e criminalidade não pertencem exclusivamente a nenhum sexo.

Nos casos discutidos, entretanto, mulheres foram vítimas de homens, e isso torna legítimo questionar a atuação daqueles que afirmam defender prioritariamente os direitos femininos.

Na avaliação deste artigo, o movimento feminista perde força quando concentra sua atuação em discursos políticos, mas permanece distante de determinados casos concretos de violência contra mulheres.

Protestos e palavras podem chamar atenção para um problema, mas a proteção de uma vítima depende também de medidas efetivas, cumprimento das leis e responsabilização de quem pratica crimes.

No final, a discussão deveria ultrapassar disputas ideológicas. Se o objetivo declarado é proteger mulheres, a pergunta precisa ser simples: quando uma mulher está realmente em perigo, quem está disposto a defendê-la independentemente da política envolvida?

Referências

  • livroEstreia da Coluna da Grasi Nunes a Grasi Sem Filtro

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