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O mistério do Castelinho da Rua Apa: a tragédia de 1937 que ainda intriga São Paulo

LÊ - Recomeço TV15 min

Lê trazendo mais um fato sobrenatural para os fatos do canal

  O mistério do Castelinho da Rua Apa: a tragédia de 1937 que ainda intriga São Paulo

Poucos lugares da cidade de São Paulo carregam uma história tão cercada de mistério, tragédia e versões contraditórias quanto o chamado Castelinho da Rua Apa. Localizado na região central da capital paulista, na esquina da Rua Apa com a antiga Avenida São João e atualmente próximo ao Elevado Presidente João Goulart, o imóvel chama atenção por sua arquitetura incomum. Construído no início do século XX e inspirado em castelos europeus, tornou-se uma das construções mais curiosas da cidade.

Entretanto, a fama do Castelinho não nasceu apenas de sua aparência. O que transformou o imóvel em uma verdadeira lenda paulistana foi a tragédia ocorrida na noite de 12 de maio de 1937, quando três integrantes de uma tradicional família foram encontrados mortos dentro da residência.

Quase nove décadas depois, uma pergunta continua sem resposta definitiva: quem realmente matou Maria Cândida Guimarães dos Reis e seus dois filhos, Álvaro César Guimarães dos Reis e Armando César dos Reis?

A família Reis e o Castelinho

Para compreender o caso, é necessário voltar algumas décadas antes da tragédia.

O Castelinho havia sido construído para a família Reis e era uma residência de grande destaque para os padrões da São Paulo daquele período. Datado de 1912, o imóvel apresentava características inspiradas nos castelos franceses e se diferenciava completamente da paisagem urbana ao seu redor.

Naquele início de século, São Paulo passava por profundas transformações econômicas e urbanas. A cidade crescia rapidamente, novas fortunas surgiam e famílias ligadas ao comércio, à indústria e aos negócios imobiliários conquistavam posições de prestígio.

Os Reis faziam parte desse cenário de famílias abastadas da capital. Seu patrimônio incluía imóveis, terrenos e negócios, entre eles o Cine Teatro Broadway, localizado na Avenida São João e considerado um empreendimento importante para a família.

O patriarca era Virgílio César Guimarães dos Reis. Sua morte, ocorrida aproximadamente dois meses antes da tragédia, teria contribuído para aumentar as tensões relacionadas ao patrimônio e aos negócios familiares.

Após a morte de Virgílio, Maria Cândida Guimarães dos Reis, conhecida como Dona Candinha, permanecia como uma das figuras centrais da família. Aos 73 anos, ela vivia no Castelinho com os filhos Álvaro, de 45 anos, e Armando, de 43 anos, segundo as fontes que reconstituíram o caso.

Os dois irmãos eram advogados e participavam dos assuntos da família.

A divergência sobre o Cine Teatro Broadway

Apesar de irmãos, Álvaro e Armando tinham interesses diferentes em relação aos negócios familiares.

Um dos pontos mais conhecidos da história envolve justamente o Cine Teatro Broadway.

Segundo a versão que posteriormente se tornou a explicação apresentada pela polícia, Álvaro desejava mudar o destino do empreendimento. Ele teria intenção de transformar o cinema em um rinque de patinação no gelo.

Álvaro era ligado à prática da patinação e teria, inclusive, se destacado em competições na Europa.

Armando, por outro lado, era responsável por questões financeiras da família e, juntamente com a mãe, teria se oposto ao projeto por considerar arriscado abandonar um negócio que já funcionava para realizar um investimento de grandes proporções.

Essa discussão, porém, não deve ser apresentada como uma verdade absoluta sobre a causa das mortes. Ela aparece principalmente na versão policial divulgada depois da tragédia. Com o passar do tempo, documentos, relatos e diferentes interpretações levantaram dúvidas sobre a explicação inicialmente apresentada.

A noite de 12 de maio de 1937

Naquela noite, a casa parecia estar tranquila.

Em um imóvel anexo ao Castelinho vivia Elza Lengenfeld, governanta da família, juntamente com seus filhos menores.

Em determinado momento, Elza ouviu tiros vindos da residência principal. Assustada, teria trancado os filhos em um quarto e seguido para verificar o que estava acontecendo.

Como o interior da casa aparentemente havia ficado em silêncio, ela saiu em busca de ajuda. Na rua, encontrou um guarda civil e relatou ter ouvido disparos.

O policial foi até o Castelinho e, diante do silêncio do local, acionou a polícia.

Uma equipe da Delegacia de Segurança Pessoal, estrutura que desempenhava naquela época uma função semelhante à de uma delegacia especializada em crimes contra pessoas, foi enviada ao endereço.

Quando os policiais entraram no imóvel, encontraram uma cena que transformaria aquela residência em um dos mais famosos cenários criminais da história de São Paulo.

Maria Cândida estava morta.

Próximos a ela estavam os corpos dos dois filhos, Álvaro e Armando.

Os três haviam sido atingidos por disparos de arma de fogo.

Próxima aos corpos dos irmãos havia uma pistola automática Parabellum calibre 9 milímetros. A presença dessa arma se tornaria um dos principais elementos utilizados pelas autoridades para formular a primeira interpretação do crime.

A versão policial: homicídios seguidos de suicídio

A hipótese apresentada pela polícia pouco tempo depois parecia relativamente simples.

Álvaro teria discutido com a mãe e o irmão por causa dos negócios da família. A discussão teria se transformado em violência, culminando na morte de Maria Cândida e Armando.

Depois de atirar nos dois, Álvaro teria cometido suicídio.

A versão ficou conhecida como a hipótese de duplo homicídio seguido de suicídio.

A arma encontrada na cena seria, dentro dessa interpretação, a principal evidência física que ligaria Álvaro aos disparos.

Segundo essa narrativa, portanto, não existiria um assassino desconhecido. O conflito familiar, agravado pelas divergências relacionadas ao patrimônio e ao futuro do cinema, teria chegado ao extremo naquela noite, e o próprio autor teria morrido no local.

Foi justamente nesse ponto, entretanto, que começaram a surgir os problemas.

As dúvidas levantadas pela perícia

A perícia da época apresentou elementos que não se encaixavam perfeitamente na narrativa policial.

Um dos aspectos mais importantes estava relacionado a Armando.

Foram encontrados vestígios de pólvora em suas mãos, o que poderia indicar que ele havia efetuado disparos.

A partir dessa descoberta, surgiu uma possibilidade completamente diferente: e se não tivesse sido Álvaro o responsável pelas mortes?

E se Armando tivesse atirado contra a mãe e o irmão e, posteriormente, tirado a própria vida?

Essa interpretação chegou a ser sustentada por médicos-legistas, criando uma contradição direta entre a leitura policial e os resultados periciais.

A posição dos corpos

Outro elemento que alimentou as dúvidas foi a posição em que os irmãos foram encontrados.

Álvaro e Armando estavam lado a lado, e essa disposição passou a ser questionada por pessoas que posteriormente estudaram o caso.

Para alguns investigadores e pesquisadores, a posição dos corpos não parecia compatível com a sequência de acontecimentos sugerida pela hipótese de homicídio seguido de suicídio.

Isso não prova, por si só, a existência de uma terceira ou quarta pessoa no local. Entretanto, tornou-se mais um elemento utilizado para questionar a narrativa inicialmente apresentada pelas autoridades.

O mistério de uma possível segunda arma

Outro ponto fundamental envolve Maria Cândida.

As fontes que reconstituíram o caso afirmam que os projéteis encontrados em seu corpo não correspondiam ao calibre da pistola Parabellum encontrada próxima aos irmãos.

Se essa informação estiver correta, a consequência seria extremamente significativa: alguém teria utilizado outra arma para matar a matriarca da família.

Essa segunda arma jamais teria sido encontrada.

É justamente esse detalhe que provoca algumas das perguntas mais importantes do caso.

Se Álvaro matou a mãe, de onde veio a outra arma?

Se Armando foi o responsável, qual seria exatamente o papel da pistola encontrada na cena?

Se houve uma troca de tiros entre os irmãos, como explicar todos os elementos da perícia?

E, principalmente, se uma quarta pessoa esteve dentro do imóvel naquela noite, como ela entrou, saiu e desapareceu sem ser identificada de maneira conclusiva?

Essas perguntas ajudaram a transformar o Castelinho da Rua Apa em um verdadeiro enigma policial.

Três hipóteses para a tragédia

É importante separar as teorias desenvolvidas posteriormente dos fatos comprovados.

A investigação original não chegou a uma conclusão judicial definitiva que identificasse um assassino diferente daquele apresentado na versão policial. O que permaneceu foi uma combinação de registros históricos, versões policiais, informações periciais e interpretações elaboradas ao longo das décadas.

A primeira e mais conhecida hipótese sustenta que Álvaro teria assassinado a mãe e o irmão e depois cometido suicídio. Essa foi a explicação divulgada pelas autoridades nos primeiros dias posteriores às mortes.

Outra interpretação, relacionada às dúvidas levantadas pelos médicos-legistas, apontava Armando como possível autor dos disparos.

Uma terceira linha, defendida principalmente por pesquisadores e familiares em trabalhos posteriores, levantou a possibilidade da presença de uma quarta pessoa na residência.

A hipótese de um quarto envolvido ganhou força no imaginário popular porque poderia explicar algumas das questões que a versão oficial não conseguiu esclarecer completamente.

A presença de outra pessoa poderia, por exemplo, ajudar a explicar a existência de uma possível arma diferente daquela encontrada junto aos corpos e também algumas dúvidas relacionadas à disposição das vítimas.

Entretanto, essa hipótese nunca foi comprovada de forma definitiva.

Pesquisas posteriores mantiveram o caso em debate

Décadas após o crime, familiares das vítimas e pesquisadores passaram a analisar documentos antigos, laudos e fotografias da cena.

Um dos trabalhos mais conhecidos é o livro “O Crime do Castelinho: Mitos e Verdades”, publicado por Leda de Castro Kiehl, sobrinha-neta de Maria Cândida.

A autora questionou aspectos da investigação original e apresentou uma interpretação diferente daquela divulgada pela polícia em 1937.

A existência de diferentes livros e pesquisas demonstra como o caso continuou despertando interesse ao longo das décadas.

Em 2023, uma nova obra voltou a apresentar uma interpretação alternativa, defendendo que Álvaro não teria sido responsável pelos assassinatos e levantando a possibilidade da participação de dois atiradores nunca identificados.

Mais uma vez, porém, trata-se de uma interpretação posterior, e não de uma conclusão judicial que tenha encerrado oficialmente o caso.

Um crime que conquistou as páginas dos jornais

A tragédia alcançou enorme repercussão na imprensa.

Não se tratava apenas de três mortes ocorridas dentro de uma residência.

A família possuía posição econômica e social de destaque, o imóvel era conhecido e a natureza do caso reunia diversos elementos capazes de despertar grande interesse jornalístico: uma família tradicional, discussões relacionadas a patrimônio e negócios, três pessoas mortas dentro de uma casa aparentemente fechada, uma arma encontrada próxima aos corpos e uma investigação marcada por dúvidas.

Naquele período, a imprensa tinha papel fundamental na formação da opinião pública sobre crimes.

Sem televisão e com meios de comunicação muito diferentes dos atuais, os jornais eram responsáveis por apresentar ao público os detalhes das investigações.

O caso do Castelinho rapidamente ganhou espaço nas notícias e se transformou em um dos crimes mais comentados de São Paulo.

Do abandono à fama de lugar mal-assombrado

Com a morte dos três moradores, o Castelinho perdeu sua função original como residência da família Reis.

Sem herdeiros diretos daquela geração permanecendo no local, a propriedade entrou em uma longa história de disputas e mudanças. Posteriormente, o imóvel passou ao patrimônio público e deixou de exercer o mesmo papel residencial que possuía antes da tragédia.

O abandono contribuiu para aumentar ainda mais a fama do lugar.

Durante parte do século XX, o imóvel permaneceu fechado ou recebeu diferentes ocupações.

Na década de 1950, a família de Otávio Manzaro, funcionário da Receita Federal, passou a ocupar a construção. Essa permanência se prolongou até 1982.

Depois disso, o prédio voltou a enfrentar períodos de abandono. O local chegou a ser utilizado como abrigo por pessoas em situação de rua e como espaço de armazenamento e atividade de catadores.

Foi nesse contexto que uma nova camada passou a envolver a história do Castelinho: a fama de lugar mal-assombrado.

Vultos, ruídos e lendas urbanas

Moradores da região e pessoas que passaram pelo imóvel ao longo dos anos começaram a relatar vultos, ruídos, vozes, gritos e outros fenômenos supostamente sobrenaturais.

A história criminal de 1937 começou, então, a se misturar às lendas urbanas.

O Castelinho passou a ser descrito como mal-assombrado e entrou no imaginário popular como um dos lugares mais misteriosos de São Paulo.

Esses relatos sobrenaturais, entretanto, não possuem comprovação científica. Eles pertencem à tradição oral e à cultura popular desenvolvidas em torno da construção.

O fato historicamente documentado é que três pessoas morreram no local em 1937 e que a investigação daquele episódio deixou dúvidas que nunca foram completamente solucionadas.

Essa distinção é importante porque, ao longo das décadas, fatos e lendas acabaram se misturando.

A tragédia real já possuía elementos suficientes para alimentar inúmeras histórias. O abandono do imóvel, sua aparência semelhante à de um castelo e a fama do crime acabaram criando o cenário ideal para o surgimento de narrativas sobrenaturais.

A preservação do Castelinho

Enquanto a lenda crescia, o prédio continuava se deteriorando.

A situação começou a mudar quando grupos e instituições passaram a defender a preservação da construção.

Em 1991, foi iniciado o processo de tombamento do imóvel, posteriormente concretizado.

Em 1996, a Organização Não Governamental Clube de Mães do Brasil recebeu autorização para utilizar o espaço, iniciando uma nova etapa na história do Castelinho.

A restauração foi importante para que a construção deixasse de ser lembrada exclusivamente como cenário de um crime.

O objetivo passou a ser recuperar sua importância arquitetônica e transformá-la em um espaço voltado para atividades sociais e culturais.

O Castelinho foi restaurado e reaberto ao público com uma nova função, tornando-se sede de uma organização dedicada ao desenvolvimento de trabalhos sociais.

Dessa maneira, o imóvel atravessou três grandes fases.

Primeiro, foi a residência luxuosa de uma família tradicional da São Paulo do início do século XX.

Depois, transformou-se no cenário de uma das tragédias familiares mais misteriosas da cidade.

Por fim, após décadas marcadas pelo abandono, ganhou uma nova função social e cultural.

Afinal, o que aconteceu naquela noite?

Essa continua sendo a principal pergunta relacionada ao Castelinho da Rua Apa.

A versão policial atribuiu a Álvaro a responsabilidade pelas mortes de sua mãe e de seu irmão, seguida de seu próprio suicídio. A interpretação foi relacionada ao conflito envolvendo os negócios da família e ao suposto projeto de transformação do Cine Teatro Broadway em um rinque de patinação.

Entretanto, os vestígios de pólvora encontrados nas mãos de Armando, as dúvidas referentes à posição dos corpos e a questão envolvendo diferentes calibres de munição fizeram com que a narrativa continuasse contestada.

A hipótese de Armando como autor dos disparos também não foi suficiente para encerrar o mistério. Embora os vestígios de pólvora tenham sido utilizados para sustentar essa interpretação, eles não explicam necessariamente todos os elementos encontrados na cena.

Da mesma maneira, a possibilidade de participação de uma quarta pessoa oferece uma explicação possível para determinadas inconsistências, mas também nunca foi comprovada.

É justamente a ausência de uma resposta definitiva que mantém o caso vivo.

Um mistério preservado pela memória de São Paulo

Em crimes antigos, especialmente aqueles investigados com os recursos disponíveis nas primeiras décadas do século XX, documentos incompletos, técnicas periciais diferentes das atuais e divergências entre laudos podem dificultar enormemente uma reconstrução precisa dos acontecimentos.

No caso do Castelinho, essas limitações se somaram à repercussão jornalística, às histórias transmitidas por diferentes gerações e às interpretações produzidas posteriormente.

O caso também demonstra como a memória de uma cidade pode preservar uma tragédia durante décadas.

Muitas pessoas que passam hoje pela região talvez conheçam o Castelinho apenas por sua arquitetura ou por sua fama de lugar misterioso. Poucas imaginam a quantidade de perguntas que permanecem associadas àquelas paredes.

Em 1937, três integrantes de uma mesma família morreram dentro daquele imóvel.

Maria Cândida, aos 73 anos, morreu ao lado dos dois filhos adultos. Álvaro tinha 45 anos e Armando, aproximadamente 43. O pai da família havia falecido cerca de dois meses antes.

A família enfrentava discussões relacionadas ao patrimônio e aos negócios.

Uma arma foi encontrada próxima aos corpos.

A polícia apresentou uma explicação.

Os médicos-legistas levantaram dúvidas.

Décadas depois, familiares e pesquisadores apresentaram novas hipóteses.

Nenhuma delas conseguiu produzir uma resposta universalmente aceita.

Por isso, o Castelinho da Rua Apa permanece como um dos grandes mistérios criminais da história de São Paulo.

Não necessariamente porque seja possível afirmar que existe um assassino desconhecido escondido por trás do caso, mas porque os próprios elementos históricos disponíveis não permitiram que uma única narrativa encerrasse todas as dúvidas.

Muito além de uma cena de crime

A história do Castelinho não terminou naquela noite de maio de 1937.

O crime transformou profundamente a identidade do imóvel.

A residência que antes representava riqueza e prestígio passou a ser conhecida pela tragédia ocorrida em seu interior. O abandono modificou sua aparência. As histórias sobrenaturais acrescentaram uma nova camada de lenda. E a restauração, muitas décadas depois, buscou devolver à construção uma função ligada à cultura, à preservação e ao trabalho social.

Hoje, observar o Castelinho da Rua Apa significa olhar para uma construção que atravessou diferentes momentos da história paulistana.

Existe sua história arquitetônica, relacionada ao início do século XX.

Existe a trajetória da família Reis e de seus negócios.

Existe a tragédia de 1937.

Existe uma investigação criminal que nunca conseguiu eliminar todas as dúvidas.

Existe a lenda do lugar mal-assombrado.

E existe também a história de recuperação e preservação desse patrimônio.

Talvez seja justamente essa combinação que tenha feito o Castelinho permanecer tão presente na memória de São Paulo.

Quase noventa anos depois, ainda é possível reconstruir a sequência básica daquela noite: os tiros foram ouvidos, a governanta procurou ajuda, a polícia chegou ao imóvel, encontrou três corpos e uma arma e iniciou uma investigação que rapidamente apontou para determinada explicação.

Mas, quando se tenta ir além dessa sequência e responder exatamente quem atirou em quem, quantas armas foram utilizadas, se havia outra pessoa na residência e qual foi a verdadeira motivação para as mortes, as certezas começam a desaparecer.

O Castelinho da Rua Apa, portanto, não é apenas uma antiga construção de São Paulo. É também um retrato de como um acontecimento pode atravessar gerações e receber novas interpretações conforme o tempo passa.

A cada documento, pesquisa ou relato, parece surgir uma nova peça.

Mas o quebra-cabeça jamais foi definitivamente montado.

A tragédia de Maria Cândida, Álvaro e Armando permanece como um dos capítulos mais enigmáticos da história criminal paulistana. O tempo apagou testemunhas, levou pessoas que poderiam ter esclarecido determinados detalhes e tornou impossível repetir aquela investigação utilizando os recursos disponíveis atualmente.

Restaram documentos, fotografias, laudos, relatos jornalísticos e diferentes interpretações.

E talvez seja justamente por isso que, quase nove décadas depois, o mistério do Castelinho da Rua Apa continue despertando tanta curiosidade.

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