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O autismo é muito além do diagnóstico: inclusão, desafios e compreensão

Lord Engel6 min

Aqui estamos falando do autismo é muito além, por ser autista isso é para ajudar outras pessoas

  O autismo é muito além do diagnóstico: inclusão, desafios e compreensão

Ser autista, como eu sou e como tantas outras pessoas são, significa viver uma realidade que influencia diferentes aspectos da vida. Cada pessoa dentro do espectro possui suas próprias características, interesses, dificuldades, habilidades e hiperfocos. Por isso, quando falamos sobre autismo, não podemos tratar todos os autistas como se fossem iguais.

Ao mesmo tempo, existe outro problema que precisa ser discutido: a diferença entre inclusão verdadeira e aquilo que considero uma falsa inclusão. Não basta dizer que uma pessoa autista está incluída em determinado espaço. É preciso compreender suas necessidades, respeitar suas limitações e reconhecer suas capacidades.

A falsa inclusão na sociedade

Esse é um assunto que debato constantemente em lives. Em escolas, faculdades e outros ambientes, muitas vezes existe uma inclusão apenas no discurso. A pessoa autista está presente, mas não necessariamente é compreendida, acolhida ou verdadeiramente integrada.

Quando alguém é colocado em determinado ambiente apenas para que se diga que existe inclusão, sem que suas necessidades sejam realmente consideradas, o resultado pode ser justamente o contrário daquilo que se pretende alcançar.

Na minha visão política, esse debate também está relacionado à maneira como diferentes grupos enxergam a inclusão. Considero que setores da direita demonstram maior abertura para determinadas pautas relacionadas ao autismo do que movimentos que classifico como totalitários.

Também relaciono essa percepção às políticas públicas voltadas às pessoas autistas e às pessoas com deficiência, incluindo discussões sobre benefícios como o BPC/LOAS. Alterações ou restrições nesses mecanismos atingem diretamente pessoas e famílias que dependem desse apoio para conseguir manter condições mínimas de vida.

Questões específicas sobre quais governos aprovaram determinadas leis ou ampliaram ou restringiram benefícios precisam ser verificadas individualmente com base na legislação e nos atos oficiais correspondentes.

Cada autista é um universo diferente

O autismo não pode ser resumido apenas às dificuldades.

Existem pessoas autistas que desenvolveram capacidades extraordinárias em determinadas áreas. Alan Turing, frequentemente lembrado por sua contribuição decisiva para a quebra de códigos durante a Segunda Guerra Mundial, é um exemplo muitas vezes citado em discussões sobre neurodivergência.

Na ficção, a série The Good Doctor apresenta um médico autista atuando em um ambiente extremamente complexo, no qual precisa lidar com diagnósticos, probabilidades e decisões envolvendo a vida dos pacientes.

Esses exemplos ajudam a levantar uma questão importante: cada autista possui características próprias.

Alguns encontram grande dificuldade para se socializar. Outros podem ser extremamente extrovertidos. Algumas pessoas têm grande sensibilidade a ambientes cheios, ruídos, sons intensos ou excesso de estímulos. Para outras, essas situações podem causar impactos diferentes.

É justamente por isso que não existe uma experiência única do autismo.

Autismo, família e diagnóstico

O autismo também é uma condição complexa quando observamos sua relação com fatores genéticos e familiares. Existem famílias nas quais diferentes integrantes apresentam características relacionadas ao espectro.

Entretanto, afirmações de que traumas ou choques emocionais possam “despertar” o autismo, assim como a ideia de que o diagnóstico seja normalmente realizado por DNA, precisam de verificação médica especializada antes de serem apresentadas como explicações sobre a origem ou o diagnóstico da condição.

Independentemente disso, compreender o autismo exige olhar para cada pessoa individualmente.

Não existe uma fórmula pronta.

Solidão e dificuldade de criar vínculos

Muitos autistas também enfrentam dificuldades para construir e manter amizades.

Nem sempre as pessoas ao redor conseguem compreender determinadas atitudes, comportamentos ou necessidades. Isso pode provocar afastamento, rejeição e isolamento.

O problema se torna ainda maior quando o autista passa a acreditar que precisa mudar completamente quem é apenas para conseguir ser aceito.

A inclusão verdadeira deveria seguir o caminho contrário: as pessoas precisam aprender a compreender que existem diferentes maneiras de pensar, sentir, comunicar-se e interagir com o mundo.

Autismo e outras condições

Também existem pessoas autistas que apresentam outras condições associadas, como TDAH, transtornos de ansiedade, depressão e diferentes condições psicológicas ou psiquiátricas.

Entretanto, não é correto tratar essas associações como obrigatórias para todas as pessoas do espectro. Cada caso possui características próprias e precisa ser avaliado individualmente.

É justamente por isso que costumo dizer que cada autista é um universo.

Família, amigos e pessoas próximas precisam conhecer esse universo para compreender melhor aquela pessoa.

Isso exige convivência, paciência, diálogo e confiança.

Os níveis de suporte

O espectro autista possui diferentes níveis de necessidade de suporte, tradicionalmente classificados do nível 1 ao nível 3.

Isso significa que existem autistas que necessitam de menor suporte em determinadas áreas e outros que precisam de acompanhamento muito mais intenso durante a vida cotidiana.

Mais uma vez, não é possível colocar todos dentro do mesmo padrão.

O que muitos autistas precisam é de acolhimento da família, de amigos de confiança, de pessoas que consigam compreender suas dificuldades e de ambientes que estejam realmente dispostos a incluí-los.

Quando a rejeição se transforma em sofrimento

Existe ainda uma parte extremamente séria dessa discussão.

Alguns autistas podem chegar a questionar o próprio valor ou até desejar deixar de existir diante da rejeição, da solidão, do abandono ou da sensação de não encontrar um lugar dentro da sociedade.

Quando alguém passa por esse nível de sofrimento, isso não pode ser tratado como exagero ou simplesmente ignorado.

Família, amigos e pessoas próximas precisam estar atentos.

A verdadeira inclusão começa quando alguém consegue olhar para o autista não como um problema a ser eliminado ou corrigido, mas como uma pessoa que precisa ser compreendida dentro das suas características.

Inclusão precisa existir além do discurso

O autismo está presente em diferentes camadas da sociedade e não deveria ser utilizado apenas como bandeira política ou discurso institucional.

Minha crítica está justamente nesse ponto.

Não importa qual grupo político diga defender inclusão se, na prática, pessoas autistas continuam sendo ignoradas, isoladas ou tratadas apenas como estatística.

Também faço críticas a regimes que considero totalitários e à forma como Estados autoritários historicamente trataram pessoas consideradas diferentes ou inadequadas ao padrão estabelecido pelo poder. Comparações específicas entre políticas atuais de países como China, Rússia e Coreia do Norte e a perseguição direta de pessoas autistas, entretanto, exigem documentação e fontes antes de serem apresentadas como fatos.

Por isso, quando afirmo que vejo maior acolhimento ao autismo em determinados setores da direita, estou apresentando uma percepção construída a partir da minha própria experiência, das discussões que acompanho e das políticas que observo.

No final, porém, existe algo maior do que direita, esquerda ou qualquer movimento político.

Inclusão verdadeira acontece quando alguém consegue compreender que o autista não precisa deixar de ser quem é para possuir um lugar na sociedade.

Autismo é muito além de um diagnóstico.

É uma maneira particular de experimentar o mundo, com dificuldades, capacidades, limites, hiperfocos, sentimentos e necessidades próprias.

Talvez a pergunta mais importante, portanto, não seja apenas quem afirma defender os autistas, mas quem realmente está disposto a conhecê-los, compreendê-los e permanecer ao lado deles quando a inclusão deixa de ser discurso e passa a exigir atitudes concretas.

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