
Empreender no Brasil: os desafios de quem gera trabalho e mantém uma empresa
Empreender no Brasil isso é dificil
Empreender no Brasil é uma tarefa complexa. Abrir e manter uma empresa envolve custos, impostos, contratação de funcionários, despesas operacionais e uma série de responsabilidades que muitas vezes não são percebidas por quem observa o empresário apenas de fora.
Além das dificuldades financeiras, existe também uma visão que apresenta o empresário como alguém que busca apenas o próprio lucro. Entretanto, antes de efetivamente obter retorno financeiro, o empreendedor precisa manter toda a estrutura necessária para que sua empresa continue funcionando.
O custo de manter uma empresa
Contratar funcionários representa uma das principais despesas de uma empresa. Além do salário pago ao trabalhador, existem encargos e outros custos relacionados à contratação e à manutenção daquele profissional.
Ao mesmo tempo, o empresário precisa lidar com contas de água, energia elétrica, telefone, internet, INSS, IBS e demais obrigações e impostos relacionados à atividade empresarial.
Por isso, quando uma empresa começa a faturar, nem todo o dinheiro recebido representa lucro. Antes de chegar ao resultado financeiro do empresário, é necessário pagar funcionários, fornecedores, impostos, serviços e todos os custos necessários para manter a operação funcionando.
Nos últimos anos, o cenário empresarial brasileiro também tem apresentado dificuldades envolvendo grandes empresas e marcas. O texto original cita Habib's, Tok & Stok, Chilli Beans e Casas Bahia como exemplos relacionados a esse cenário de dificuldades empresariais.
Quando uma empresa sofre, outras famílias também são afetadas
Uma empresa não representa apenas o seu proprietário. Ao redor dela existem funcionários e famílias que dependem diretamente dos empregos gerados.
Quando uma empresa entra em crise ou encerra suas atividades, portanto, o impacto não atinge somente o empresário. Trabalhadores podem perder seus empregos, fornecedores podem perder clientes e diversas famílias acabam sendo afetadas.
Existe ainda outro problema percebido por muitos empresários: a dificuldade de encontrar e manter funcionários. Há casos de pessoas que permanecem pouco tempo no emprego e depois pedem demissão, enquanto algumas optam por depender de programas de assistência do Estado.
Esse cenário aumenta as dificuldades para empresas que precisam de mão de obra para continuar funcionando e crescendo.
O empresário como vilão
Também existe uma discussão cultural e ideológica sobre a figura do empresário.
Durante muito tempo, diferentes correntes de pensamento apresentaram conflitos entre patrões e trabalhadores. Karl Marx, por exemplo, desenvolveu uma crítica profunda ao capitalismo e às relações entre capital e trabalho.
A partir dessas interpretações, surgiu em determinados setores da sociedade uma visão segundo a qual o empresário seria necessariamente o explorador e o trabalhador seria sempre a vítima dessa relação.
O problema está em transformar uma relação econômica complexa em uma divisão simples entre vilões e vítimas.
Empresas precisam de trabalhadores, assim como trabalhadores precisam de empresas capazes de gerar empregos. Quando uma dessas partes deixa de funcionar adequadamente, toda a estrutura econômica sofre.
Trabalho, responsabilidade e sociedade
O trabalho também possui uma dimensão que ultrapassa a questão financeira.
Pensadores como Roger Scruton e Platão podem ser utilizados para refletir sobre responsabilidade, organização social, virtude, dever e participação do indivíduo na sociedade.
Nesse sentido, trabalhar não significa apenas receber um salário. O trabalho também pode representar crescimento, responsabilidade, experiência e desenvolvimento pessoal.
A ideia de que o trabalho dignifica o ser humano está diretamente relacionada à compreensão de que conquistas exigem esforço e responsabilidade.
Isso também vale para quem empreende. O dinheiro obtido por uma empresa não surge sem esforço. Existe investimento, risco, planejamento e trabalho por trás de cada negócio.
Meritocracia e crescimento profissional
Quem trabalha como empregado também precisa compreender o valor da empresa e das pessoas responsáveis por mantê-la funcionando.
Valorizar um bom patrão não significa ignorar erros ou aceitar injustiças. Significa reconhecer que existe uma relação de responsabilidade entre empresários e funcionários e que ambos dependem do funcionamento saudável da empresa.
Da mesma maneira, quando um trabalhador demonstra competência, responsabilidade e capacidade e, como consequência, recebe uma promoção ou assume uma função maior, existe aí uma manifestação da meritocracia: seu desempenho foi reconhecido.
Subir profissionalmente representa não apenas aumento de salário, mas também reconhecimento de capacidade e responsabilidade.
Empreender é assumir riscos e responsabilidades
Empreender no Brasil continua sendo um desafio.
O empresário precisa pagar impostos, manter funcionários, administrar despesas, conquistar clientes e ainda garantir que a empresa tenha recursos suficientes para sobreviver.
Por isso, é necessário abandonar a visão simplificada de que todo empresário é um vilão apenas porque busca lucro. Sem lucro, nenhuma empresa consegue continuar funcionando, investir, contratar ou gerar empregos.
Da mesma maneira, trabalhadores precisam ser valorizados, porque são fundamentais para o funcionamento das empresas.
No fim, empresários e empregados fazem parte da mesma estrutura econômica. Quando empresas prosperam de maneira responsável, podem gerar empregos e oportunidades. Quando trabalhadores crescem profissionalmente, também ajudam essas empresas a se desenvolver.
Compreender essa relação talvez seja um dos primeiros passos para discutir seriamente o que significa empreender, trabalhar e construir uma sociedade baseada em responsabilidade, esforço e geração de oportunidades.
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