
Falando de amor
O amor é um daqueles sentimentos capazes de nos mover por inteiro. Corremos atrás de quem amamos, tentamos demonstrar o que sentimos e fazemos de tudo para que aquela pessoa perceba a importância que tem em nossa vida. Mas uma pergunta permanece: será que somos valorizados da mesma maneira?
Encontramos o amor representado até mesmo no mundo do rock, em músicas de bandas como Scorpions, Iron Maiden, Sirenia e Tristania, entre tantas outras. São diferentes formas de falar sobre sentimentos que fazem parte da experiência humana.
Quando amamos alguém, muitas vezes fazemos tudo para sermos notados. O problema é quando, depois de tanta dedicação, temos a sensação de que não significamos nada para aquela pessoa.
O amor em tempos de relações frágeis
Para mim, o amor é algo intenso e verdadeiro. Quando digo que amo ou gosto de uma pessoa, não existe meio-termo.
Ao mesmo tempo, vivemos em uma sociedade na qual os sentimentos parecem cada vez mais vazios. A tecnologia aproximou pessoas que antes estariam distantes, mas essa proximidade virtual nem sempre significa proximidade emocional. Podemos estar conectados e, mesmo assim, continuar distantes justamente de quem gostaríamos de ter ao nosso lado.
Ao pensar em Nietzsche e também nas reflexões de Bauman sobre os chamados tempos líquidos, surge uma questão importante: até que ponto essa fragilidade das relações não foi construída pelo próprio ser humano?
Talvez tenhamos desaprendido a amar, compreender e realmente desejar permanecer ao lado do outro.
Amar também significa enfrentar desafios. Significa desejar crescer junto, e não destruir a outra pessoa. Em minha própria experiência, já vivi situações em que me dediquei totalmente a alguém e, mesmo assim, senti que tentaram me destruir.
Por isso, acredito que amar envolve querer construir algo: família, filhos, carinho, companheirismo e, principalmente, respeito.
E fica a pergunta: quem ainda acredita verdadeiramente no amor?
Entre Platão, São Tomás de Aquino e Afrodite
Talvez seja necessário voltar a refletir sobre aquilo que diferentes tradições disseram a respeito do amor.
Platão e São Tomás de Aquino, cada um dentro de sua própria visão filosófica e teológica, fazem pensar sobre formas mais elevadas de amor, enquanto a própria mitologia grega transformou Afrodite em um dos grandes símbolos ligados ao amor.
Essas referências mostram como o amor sempre ocupou um espaço importante na história humana.
Entretanto, tenho a sensação de que determinados gestos associados ao romantismo perderam espaço na sociedade contemporânea: entregar flores, convidar alguém para jantar, passear juntos, conhecer verdadeiramente a pessoa e compreender suas dificuldades.
São atitudes simples, mas que representam cuidado.
Na minha percepção, esse tipo de amor foi se esvaziando ao longo do tempo.
Casamento precisa significar mais do que um papel
Casar, para mim, nunca deveria significar apenas assinar um documento.
Um relacionamento precisa existir sobre uma base de confiança, respeito, compreensão e responsabilidade de ambos os lados. Também existe atualmente o medo de conflitos que ultrapassem os limites da relação e cheguem a acusações, inclusive envolvendo a Lei Maria da Penha. A possibilidade de falsas acusações é uma preocupação que, na minha visão, também afeta a maneira como alguns homens encaram os relacionamentos.
Da mesma forma, considero que determinadas mudanças culturais associadas ao feminismo contribuíram para modificar profundamente as relações entre homens e mulheres.
Na minha percepção, parte do romantismo tradicional acabou sendo tratada como algo ultrapassado. Quem ainda acredita em gestos do chamado romantismo clássico pode, muitas vezes, ser visto como louco ou idiota simplesmente por pensar de maneira diferente.
O romantismo clássico em que ainda acredito
Para mim, amar continua relacionado ao romantismo clássico.
É tratar bem a mulher, descobrir aquilo de que ela gosta e aquilo de que não gosta, conhecer sua personalidade e compreender seus sentimentos.
Mas isso precisa acontecer dos dois lados.
Também é fundamental que a outra pessoa queira conhecer quem você realmente é — não apenas aquilo que você possui ou aquilo que pode oferecer materialmente.
É uma relação baseada no conhecimento mútuo.
Quando observamos relacionamentos de nossos pais e avós, encontramos muitos exemplos de casais que permaneceram juntos durante 40, 50 ou até 60 anos. Eles enfrentaram dificuldades e, ainda assim, continuaram buscando preservar aquilo que haviam construído.
Hoje, tenho a percepção de que muitas relações funcionam de maneira diferente. Diante da primeira grande dificuldade, algumas pessoas simplesmente vão embora.
Para mim, abandonar alguém justamente quando surgem dificuldades pode mostrar que talvez aquele sentimento nunca tenha sido verdadeiro ou que a relação existia apenas enquanto era conveniente.
Compreender as dificuldades do outro é uma maneira de demonstrar o quanto aquela pessoa é importante.
E essa compreensão pode ser justamente aquilo que ajuda duas pessoas a vencerem as dificuldades como casal.
Afinal, cadê o amor?
Por isso volto à pergunta que deu origem a toda esta reflexão: cadê o amor?
Ele desapareceu?
Mesmo depois das experiências que vivi, continuo acreditando nesse sentimento. Quando amo alguém, amo para valer. E espero que, se alguém sentir algo verdadeiro por mim, tenha coragem de demonstrar e falar sobre isso.
O amor continua sendo algo que me move.
No fim, o que procuro é alguém que queira somar: alguém que possa caminhar comigo e com meu filho, enquanto eu também possa acrescentar algo à vida dessa pessoa.
Talvez seja justamente por ainda desejar construir algo verdadeiro ao lado de alguém que, apesar de tudo, continuo acreditando no amor.
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