
Como a música nos faz sentir bem
Quando estamos trabalhando, estudando ou até mesmo nos divertindo, muitas vezes há uma música nos acompanhando. Não importa necessariamente o estilo: cada pessoa encontra sons, artistas e gêneros que despertam sentimentos e fazem parte de diferentes momentos da vida.
A música pode ser entendida como um combustível para a alma. Muitas vezes, é ela que nos faz pensar, agir, recordar e até compreender melhor o mundo e a nós mesmos. De alguma forma, a música toca nossa força de vida e se torna parte daquilo que somos.
A música também faz parte da nossa identidade
Nossa relação com a música começa cedo. Primeiro, nossos pais podem influenciar aquilo que ouvimos. Depois surgem os amigos, novos ambientes e diferentes experiências. Com o tempo, descobrimos os estilos musicais com os quais realmente nos identificamos.
A música se transforma, assim, em uma espécie de condutora da alma. Basta observar nosso cotidiano: estamos sempre fazendo alguma coisa enquanto existe alguma música ao redor. Ela está nas empresas, nos locais públicos, nas festas, nos meios de comunicação e em muitos outros espaços.
Diante disso, percebemos o quanto o mundo também se constrói por meio da música.
Quando olhamos para a música clássica, encontramos nomes como Johann Sebastian Bach, Frédéric Chopin e Ludwig van Beethoven. Suas obras exerceram grande influência musical, e elementos da música clássica também aparecem posteriormente em diferentes gêneros.
No metal e em outras vertentes do rock, por exemplo, encontramos bandas que trabalham com elementos sinfônicos, orquestrais, experimentais ou influenciados por estruturas musicais anteriores. Entre os nomes que podemos citar estão Therion, Nightwish, Sirenia, Pink Floyd e Led Zeppelin.
Música, mídia e cultura no Brasil
No Brasil, temos a MPB e diversos outros estilos que conquistaram grande espaço cultural. Ao mesmo tempo, existe uma discussão sobre influências, referências e semelhanças entre músicas brasileiras e produções estrangeiras.
Também existe, na minha visão, um problema relacionado à concentração de espaço e divulgação de determinados estilos musicais. Aquilo que chamo de “máfia do dendê” representa essa percepção de que certos gêneros e grupos acabam recebendo mais visibilidade, enquanto outras expressões musicais encontram dificuldades para conquistar espaço.
Quando chega o Carnaval, por exemplo, mesmo quem não gosta da festa percebe a força da música na mídia. Funk, axé, pagode, sertanejo e outros gêneros podem ocupar grande espaço de divulgação, ajudando a colocar determinados artistas e estilos em evidência.
Isso mostra o poder que a exposição possui na formação do gosto popular.
O retorno da cultura gótica
Outro fenômeno interessante é o ressurgimento do movimento gótico na internet.
Entre o final dos anos 1970 e o início dos anos 1980, a cultura gótica começou a ganhar identidade própria. Anos depois, especialmente entre 1999 e 2006, vivi pessoalmente um período em que pude acompanhar de perto uma nova presença do rock gótico e de sua cultura.
Depois disso, essa presença perdeu novamente parte de sua força e visibilidade.
Agora, porém, vemos outra geração descobrindo o gótico por meio das redes sociais. Jovens estão conhecendo músicas, estética e referências culturais que surgiram décadas antes de muitos deles nascerem.
Isso mostra como a cultura funciona em ciclos. Algo pode desaparecer momentaneamente do centro das atenções e, anos depois, retornar para uma nova geração.
O problema é que ainda vemos poucas pessoas buscando conhecer os clássicos e compreender de onde vieram os movimentos que hoje estão redescobrindo.
Uma nova geração descobrindo o metal
Também existem pessoas desta geração descobrindo o metal, e esse movimento parece ganhar cada vez mais espaço em determinados ambientes e comunidades.
Ao mesmo tempo, existe uma percepção de enfraquecimento do rock em grandes eventos que carregam o gênero em sua própria identidade. Quando encontramos axé, funk, pagode e outros estilos ocupando espaço em um festival conhecido historicamente pela presença do rock, surge inevitavelmente a discussão: qual é atualmente o espaço do rock nesses eventos?
Na minha visão, isso também está relacionado a uma crise cultural vivida pelo Brasil.
Por outro lado, existem festivais como o Bangers Open Air, voltados efetivamente para o metal e capazes de oferecer um material muito interessante para quem acompanha o gênero. O problema é que eventos assim ainda poderiam receber muito mais divulgação e atenção do público.
A música existe até no silêncio da natureza
Precisamos compreender que o mundo sempre possui algum tipo de música.
Existe até mesmo aquilo que podemos chamar de “música da natureza”: o canto dos pássaros, o vento passando pelas árvores, a chuva, os rios e os diferentes sons encontrados longe do barulho das grandes cidades.
Talvez esse seja um dos motivos pelos quais tantas pessoas desejam viajar para o campo ou para o interior quando precisam desacelerar.
Vivemos em um mundo marcado pelo caos, pelas responsabilidades e pela velocidade. Nesse ambiente, também precisamos encontrar nossa própria ordem.
Essa ordem começa em nossa mente, mas também pode ser construída com a ajuda das pessoas que nos apoiam e nos ajudam a encontrar novamente nosso equilíbrio.
E a música pode fazer parte desse processo.
A música nos acompanha enquanto vivemos
A música está presente em nossas lembranças, nossas alegrias, nossos momentos difíceis e nossas descobertas. Ela atravessa gerações, desaparece e retorna, influencia culturas e ajuda pessoas a encontrarem grupos com os quais se identificam.
Podemos mudar de estilo ao longo da vida, descobrir bandas antigas ou acompanhar artistas novos. O importante é reconhecer aquilo que realmente nos faz bem.
Em meio ao caos do mundo, precisamos encontrar aquilo que nos ajuda a organizar nossos pensamentos e continuar caminhando.
A música sempre pode nos fazer sentir algo.
Por isso, ouçam música, descubram novos sons, conheçam os clássicos e procurem aquilo que faz bem à sua mente e à sua vida.
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